27.9.09

Bizgunzo é você


"Bizgunzo". Morri. (about 3 hours ago from web)





Bizgunzo foi uma palavra que o américo e eu inventamos pra assustar os outros.
a gente botava o cano de aspirar a piscina na boca – um cano de uns três metros de comprimento - e a palavra ia sair ali adiante. era como se o darth vader dissesse “bizgunzo”. uma palavra que a gente inventou e achou engraçada, que toda vez que a gente falava, a gente ria que nem bobo. isso, claro, acabou gerando um problema, porque a gente não conseguia assustar ninguém.
vai.
tenta.
diz “bizgunzo” em voz alta.
diz como se fosse assustar alguém.
é, só que com a voz do darth vader.
percebe?
a gente até assustava. mas o ataque de riso subseqüente era tão inevitável, que a gente sempre acabava sendo descoberto.
acabava que tinha mais gente pra assustar que pra ser assustada e ataque de riso já é difícil de controlar. em grupo, é pior ainda. ainda mais quando tinha o pulha do anjinho, que peidava sob pressão. nem fedia. era só de efeito moral. mas vai lá você. tenta numsimijá de rir depois daquele “prôc” que ele fazia.
tenta.
bizgunzo virou verbo.
(“bizgunzaram tudo que tinha aqui” ou “e aí? bizgunzô?”)

bizgunzo virou um estado d’alma.

era quase como se a gente pudesse dizer o que não se pode ser dito.
sabe aquilo que a gente não consegue dizer, porque se conseguisse, eu conseguiria dizer pra você o tanto que eu te amo, exatamente, e você saberia que isso é o céu e todo o resto é inferno. você saberia. porque se eu dissesse o que eu não posso dizer, não seria preciso dizer – estaria lá – existe, vive e é.
bizgunzo era quando as coisas pareciam estar certas, a gente parecia estar ganhando e não era preciso nada pra continuar feliz assim. era um momento que se repetia. um pensamento bom. um acidente feliz. a ligação certa da pessoa certa, na hora certa, dizendo “oi, beibe”. bizgunzo é quando o raio cai no mesmo lugar, pela enésima vez, mas – uau – é tão do caralho quando ele faz isso.
se eu fosse douglas adams, buzgunzo seria 42.

você é aquilo que te faz feliz de verdade.



(com o tempo, bizgunzo, passou a ser nome de pau.
mas, veja bem.
isso não desmerece o caráter divino da coisa. a gente era tudo homem brincando de macaco. homem não pode dar nome pra um deus, que já vai logo chamando o pinto pelo mesmo nome.
macaco come banana.
banana é bom.
monkey see, monkey do.
do be do be do)

como eu ia dizendo:
você é aquilo que te faz feliz de verdade.

vê hoje, por exemplo.
domingo, 27 de setembro, 2009.

dá pra dizer que o dia hoje foi bom?
claro que dá.
eu seria um imbecil ingrato e filho da puta se dissesse que não.
você sabe o porquê.
encontrei o amor, a amizade e um novo irmão
e o meu caminho eu escolhi.
e cantei pro mundo,
pra todo mundo ouvir
que eu fiz a minha vida sorriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiir.
(desculpa. tava cantando)

só que teve outra coisa.
eu tinha um cartão telefônico.
podia te ligar.
dizer “beibe, eu amo você”.
aí, sim.
bizgunzo.
wuub.

é.
little did he know.
uns acidentes são felizes.

o cartão travou.
que nem o publicador.
só que ele deu aquilo que a gente sempre pede: tempo.
pelo menos ali, no cartão telefônico, o tempo parou.
tudo que eu mais queria.
tempo parasse naquele momento, quando você diz “oi, beibe”.
e ele pára.
quase pára.
tá.
parei.

mas olha, beibe: foi isso que eu disse pra ju que admiro em você.
foi naquele dia em que eu achei que ela era você, pela primeira vez.
disse que conversar com você parecia aquela cena em “peixe grande”
em que o tempo para, as pipocas ficam suspensas no ar
e, depois, o tempo corria mais rápido pra compensar o que tinha ficado parado.

hoje, a gente tem o nosso tempo e ele é isso assim: nosso.
ele é inútil quando não tem você.
quando tem a gente, o tempo ainda anda devagar, mas anda.

por isso, quando o cartão travou na unidade 41, foi o céu, com deus, anjos e tudo.
por um tempo que eu não esperava ter a gente pôde conversar.
sem pressa.
por uma unidade 42.
infinita como a saudade, que acaba e, daí, acaba de acabar e fica infinita de novo.

42.

deus cada um tem o seu.
mas douglas adams só tem um.

o que eu quero dizer é.
não que eu não estivesse feliz antes
mas AQUELE feliz não é nada
perto desse feliz de AGORA.



ps: bizgunzo me lembra buzunguinha, buzanga, buzi que, você sabe, parece a gata do américo.

1 comentários:

trombone com vara disse...

Gostei pacas!