17.2.09

Crushed! (ou: sobre como meu celular aprendeu a voar)




E aí que eu tava adorando a conversa com a Joice quando de repente, minha bolinha azul, ficou cinza.
É o jeito que o gmail tem pra te dizer o seguinte: “olha, sua internet morreu”.
Eu tinha acabado de ler o Mais Grosso que Dedo Destroncado no Eneaotil e, num descer de pálpebras, me veio à mente que eu teria que lidar com o pessoal da Claro.

Adicionado a isso, imagine que conversar com a Joice tem sido a melhor coisa que poderia haver na minha vida.
Ter sido interrompido já me fazia ter bruxismo sem nem dormir.

Se você tem celular da Claro, imagino que ele tenha câmera. Imagino também que isso seja um teste. Cada câmera, em cada celular Claro é uma Candid Câmera, filmando pegadinhas, dia após dia e reunindo numa imensa coletânea que um dia vai fazer com que toda a humanidade morra engasgada num ataque de riso coletivo, testemunhando close-ups de clientes insatisfeitos dando chilique igual essa ching-ling, no aeroporto de sei lá onde.

Tomei coragem e liguei.

Primeiro que o menu da Claro não é lá essas coisas.

Aliás: não é coisa alguma.

Nunca que você acha a opção que você procura e, só depois que todo o menu passa, é que você percebe que teria que ter apertado a opção 4, mas talvez fosse a “5”, mas é quase certeza que pode ser a “3”.
Por via das dúvidas, meti o dedo no 9 – “falar com um de nosso atendentes”.

Eles deviam disponibilizar um serviço telefônico que auxiliasse o auxílio telefônico deles.

Atendeu um Paulo Otávio Vinícius e eu nunca canso de tentar entender que deus do mal é que dá nome aos atendentes. Ele me perguntou todos os meus dados e censurou o meu mastigar de números pedindo pra que eu repetisse várias vezes a mesma merda.
Lição entendida, resolvi ir direto ao ponto.
Olha, minha internet caiu e eu preciso saber uma coisa muito simples: o problema é meu ou o problema é de vocês?
“Como assim?”, ele perguntou com uma risadinha no meio, como se eu estivesse chacoalhando a rola na cara dele.
“Olha, eu vou desenhar. Se eu falo com você e faço nhunhunhunhnhanhanham e você não me entende, o problema é meu porque eu não sei falar, mas quando eu falo em português claro e perfeito que minha internet caiu e manifesto desejo em saber se foi só pra mim ou pra todos os assinantes e, ainda assim, você me vem com “como assim?”, acho que o problema é seu. Sou assinante Claro e quero saber se há algum problema com a conexão do meu modem 3G.”

Acho que não se pode ser claro com a Claro.

“Eu vou passar o senhor para o setor responsável”, disse.
E foi a última vez que ouvi a voz de Paulo Otávio Vinícius.

Nota: quando um cliente que está na espera telefônica ouve a mensagem dizer “sua ligação é importante para nós”, ele é levado a saber que não, não é. A sua ligação é uma intrusão pessoal ao campeonato de truco do jogo da noite, da novela, de Lost, de Califorchupation ou o que quer que seja. Seria mais honesto deixar na mensagem: “estamos cagando para você e atenderemos quando estivermos com vontade. morrão”.

Uns 20 minutos depois, juro, me veio Carmen Electra.
Nada poderia ser mais perturbador que ser atendido na Claro por Carmen Electra.
Expliquei a ela que eu não precisava de muito, só precisava saber se a internet tinha caído porque meu computador era uma bosta ou se ela tinha caído porque o computador da Claro é que é uma bosta.

Meu tom sorridente fungava um rosnado.

“Um momento”.
Não havia música de espera. Podia ouvir dedos nos teclados. Mais longe, dava para ouvir uma outra atendente dizendo “que burro! Meu Deus, como ele é BURRO!” com tanta clareza que dava pra dizer em qual parte da frase dela o texto estava obviamente em caixa alta.
“Senhor Fernando”
Esse sou eu: “Sim?”.
“O senhor está diante de seu computador?”.
Eu estava no pé da cama, chutando o colchão e vendo o tanto que ele levantava do chão.
“Não, mas estarei em instantes”, eu disse. “Pronto”.
“O senhor poderia desinstalar o seu modem?”, disse ela como se pedisse pra que eu arrancasse meus olhos das órbitas, só por diversão.
Fui lá, ejetei o modem, arranquei do computador e disse: pronto.
“Ok”.
uma pausa
“Agora, o senhor pode instalar o seu modem novamente?”.
Bom, era isso? Um boot? Só?
Ok, instalei.
“O senhor verifique agora se consegue estabelecer conexão?”
Botei lá, “conectar”, e a mensagem foi mandada pro modem e ele ia pensando se atendia. A atendente ao lado de Carmen Electra insisti, “meu DeEeEeus! Como ele é BuUuUrro!”, com uma clareza que dava pra ver o trêmolo nas vogais certas das palavras chaves. A menina sabia o que fazia.
“Nada, Carmen”.
“Nada?”.
Eu mentiria pra você, Carmen? Se conectasse, eu diria só “funcionou, valeu”, desligaria o telefone na sua cara e correria pro mesmo lugar de onde jamais deveria ter saído.
“Nada”.
Aí, fodeu.
Desistalei o modem pelo painel de controle, instalei ele de novo, tive que procurar o CD de instalação e era sempre a mesma coisa.
“Verifique agora se o senhor consegue estabelecer conexão”.
Nada.

Nada.

Nada.

Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.
Nada.

Nada.

Fiquei em silêncio.

Pensei.
“Olha, Carmen... Vamos supor que o problema não seja no meu computador. Vamos supor – só supor, ok? – que talvez o problema seja aí. Vamos dizer que, de repente, mais gente além de mim esteja com o mesmo problema. Você tem como ver isso pra mim, Carmen? É só ver se, de repente, uma outra pessoa não ligou reclamando, sei lá...”.

Eu estava exausto.

Exaurido.

Minha orelha estava quente e havia uma mensagem em meu telefone que eu queria muito ler.

Minha mãe diz que tem um jeito que eu peço coisas que é pior que o do Gato de Botas do Shrek. Eu não sei como é que se faz, mas eu percebo quando estou fazendo. Percebi isso quando disse “você não podia ver isso pra mim?” do jeito mais sincero e honesto.

Ela titubeou e disse, sem nem pensar, “um momento”.

Pela primeira vez, ela me deixou no mute.

Achei que, agora sim, iam me passar pra outra pessoa, que não ia saber nada a respeito do meu problema e eu teria que explicar tudo de novo e ele ia me mandar fazer tudo de novo.

“Senhor Fernando”.
Era Carmen Electra.
“Foi constatado sim, que há um problema em nossa transmissão e que isso deverá voltar à normalidade em breve”.
“Você tem uma idéia de quanto isso pode demorar?”
Fui pro mute outra vez.
Rapidamente.
Ela voltou: “Quatro horas”. .
“Me perdoa, mas a internet volta em quatro horas ou volta às quatro horas?”
“Às quatro horas”.
Bonito isso.

“Mais alguma coisa em que eu possa ajudá-lo?”
“Desculpe, Carmen. mas acho que você não ajudou em muita coisa, né? Mas olha: tem uma coisa. Diz pra menina do seu lado não ficar botando no mudo pra xingar cliente. Eu não estou fazendo uma reclamação, ok? É só um toque. Diz pra ela que eu ouvi e que eu disse pra você que pega mal.”.

É foda.
Eu fumo e não fumo pouco.
Simplesmente não posso mais gritar com atendentes.
Preciso de tudo que puder do meu coração pra outras coisas mais importantes na minha vida como, por exemplo, conversar com a Joice.

2 comentários:

Joice Viana disse...

Ok, eu não devia ter metido o cursor na bosta hahahaha
Por isso que, quando eu citei o Kid Bengala no meu blog, linkei pra um lêmure fofinho de olhos photoshopados. Embora um monte de bosta seja sempre mais bem vindo que aquela trolha ignorante.
Eu prefiro esperar que os nanoduendes que trabalham em regime escravo dentro do meu modem resolvam suas questões com o sindicato e terminem a greve do que ligar para a Oi Velox. Sério. Me orgulho de ser assinante há mais de um ano e NUNCA ter ligado pro suporte, já que é mais suportável ficar sem internet.

Rose Carreiro disse...

Também não tenho maiores problemas com a Oi. Qnd eu não consigo falar com a Joice pelo Msn, eu atravesso a rua. Morra de inveja pt LVII