22.10.09

poltrona 42




onde ela está não há sombra de deus.
entretanto, deus está em todos os lugares
justamente porque ela também está
nas músicas de johnny cash
no perfume da lavanda
na cor roxa
no chocolate com menta
no chocolate sem menta
no pistache
no queixo
no flango
no damaishco
no josé, do drummond
no josé - cuervo, ouro
no sorvete de leite de soja
no ônibus sabino subino de ponta cabeça
no dia de cosme e damião
no talento com passas
no acidente do batone
no batone - em geral
em iemanjá saindo do mar
num esquimó com gorro felpudo
nas listas cinza e branco, branco e preto, branco e preto, branco e preto, branco e preto, branco e preto, branco e preto,branco e preto, branco e preto, branco e preto,branco e preto, branco e preto, branco e preto,branco e preto, branco e preto, branco e preto,branco e preto, branco e preto, branco e preto,branco e preto, branco e preto, branco e preto, vermelho, vermelho.
em borboletas pousadas no vidro que uma pedrada rachou
na lycosa esmagada do lado da porta de entrada
em dois índios
no castelinho
na costelinha
na bolinha
na buzunguinha
na salutaris
na neve no teto do banheiro
no cabelo da sheila da caverna do dragão,
no corinthians e no flamengo
nas sunday morning songs
nas love handles
num anjo pornográfico
num ruy castro, claro
naquela música dos carpenters que o sonic youth regravou
em silent hill
na neblina
nas montanhas
no ruço que desce
em balões que sobem
no odair josé
na rodovária
no amanhecer
nos escravos de jó
nos sinos da consolação
num all star vermelho
nas spatódeas que me espirraram na cara
no caminho pra liberdade
na música de mistery, alaska
na irlanda
em new orleans
na mãe de lestat
nos totens que caem e quebram
no entei e no hentai
no mishto
no x-bacon
nas paineiras
nos novos baianos
no velório de michael jackson
no sotaque carioca
no "meu" paulista
no "meu" possessivo
no número 42
nos filmes que a gente deixou pela metade
na caixa de blues
em sobrancelhas circunflexas
num shiu
num lick
num wuub
em tudo
(inclusive nas coisas
que eu vou lembrar
depois de ter publicado)

ela é a desculpa que deus dá
pra poder se dizer onipresente.

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