25.3.09

planet earth is blue and there's nothing i can do





Engraçado como as coisas são em sonho, né?
Na hora que eu senti aquele vento frio no rosto e achei bom, sabia que ela estava por perto.
Se não existe dúvida, as coisas acontecem.
Se não existe medo, tudo acontece.
Quando eu olhei pra trás, ela vinha me estendendo a mão e eu ainda sentia o vento frio no meu rosto.
Eu achava que o vento era ela, ela achava que o vento era eu e, de um jeito ou de outro, ambos estávamos certos.
Esses sonhos de voar eram os meus #mostwanted até meu primeiro sonho com ela.
Isso, que me acontecia agora, um sonho de voar JUNTO com ela era um presente irrepreensível do meu subconsciente.
Eu não sei se a gente tava voando antes de dar as mãos, mas eu lembro do vento frio.
Talvez a gente estivesse no alto de uma montanha ou alguma coisa assim, mas, assim que ela me deu a mão, a gente ficou cercado pro 360 graus de azul infinito.
Não sei se era assim porque era assim mesmo, ou se havia ficado assim.
No sonho, na real, isso não fazia a menor diferença.
Eu estava em meio do que devia ser o abraço que eu mais quero e, mil desculpas, o céu que me importa é esse dentro de mim.
E a gente voou.
Foi um vôo parecido com o do Bastian e do Falcon em Neverending Story.
A gente ia rápido, rachando de rir, dando rasantes e passando por entre fiordes que pareciam ter sido desenhados a mão por Deus e ela me lembrava do dia que eu chamei Deus de burro.
A gente parou no alto de uma pedra, tinha um bando de leões marinhos cantando uma música. A gente insistiu que tava tudo errado, que eles estavam cantando “I'm a man”, quando deveriam cantar “I am the walrus”.
Depois, a gente foi parar numa cidade, com ruas de paralelepípedos úmidos e ônibus elétricos arrancando faíscas que desciam como uma cachoeira em torno deles.
A gente andava pela rua trombando um no outro, minhas pernas se enroscavam nas pernas dela e a gente ia quase caindo se embolando junto pro chão e botava culpa na cerveja que a gente nem tinha tomado ainda.
A gente voou por cima do mar, voou de ponta cabeça, tentou chegar no sol e ficou rindo da coisa absurda que era poder voar.
Acho que gente encontrou o Douglas Adams.
Não posso dizer que sim, porque eu não sei como é a cara dele, mas ela me disse que era.
E ele disse pra gente: “olha, quando vocês forem voar, a coisa mais importante que vocês precisam fazer é errar o chão”.
E aí, a gente voou até Lua e viu a Terra azul.
E não havia nada que a gente pudesse fazer por ela.

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